
Impacto no quadril: quais as causas e tratamentos?
14/01/2024O pé plano flexível na infância
O pé plano flexível é uma condição muito comum em crianças, sendo caracterizada pela perda da “curvinha” do pé e aumento do valgo do calcanhar, que é a lateralização desse osso quando visto por trás.
Normalmente essa é uma condição assintomática, mas a dor pode ocorrer na parte inferior da perna ou no pé, especialmente após exercícios intensos, longas caminhadas ou ficar por longos períodos em pé. Em alguns casos, pode ocorrer cansaço precoce.

Imagem de criança portadora de pé plano flexível acentuado, demonstrando a lateralização do calcâneo em relação à perna. Nesse caso, a deformidade é mais acentuada à esquerda.

Essa imagem corresponde a visão medial do pé do mesmo paciente. Ela demonstra a perda da “curvinha” do pé, com essa região em total apoio com o solo.

Essa imagem corresponde a visão por cima do pé do mesmo paciente. Ela demonstra o pé em abduto, que quer dizer “apontando para fora”.
Como tratar esses pacientes?
A maioria dos pacientes portadores de pé plano flexível na infância são assintomáticos, e nesse caso não precisam de nenhum tipo de intervenção específica além de um acompanhamento a fim de avaliar se irão surgir sintomas e a progressão da deformidade. Dentre os que apresentam sintomas, uma parte considerável responde ao ajuste de calçados e fortalecimentos e alongamentos específicos realizados através de fisioterapia motora. O tratamento cirúrgico fica então reservado para crianças sintomáticas, acima de 8 anos, que não respondem ao tratamento conservador ou apresentam deformidade muito intensa. Dentre as opções cirúrgicas, estão as técnicas minimamente invasivas como a artrorrise. Vários estudos demonstram melhorias significativas nas avaliações clínicas e radiológicas.O que é a cirurgia minimamente invasiva de artrorrise?
O primeiro autor a introduzir esse termo “artrorrise” foi Lelièvre, no início da década de 70, com o objetivo de ilustrar um bloqueio temporário na articulação subtalar através de um dispositivo tipo um grampo. Na década de 90, descreveu-se o primeiro implante não ósseo do seio do tarso. Coloca-se esse dispositivo de maneira minimamente invasiva entre o osso do tálus e calcâneo, com o objetivo de corrigir a deformidade com preservação da função do pé. Além disso, alguns autores levantaram a hipótese de que esse dispositivo poderia desempenhar um papel na ativação de mecanorreceptores no seio do tarso, embora ainda não tenha sido apoiado por evidências experimentais. Coloca-se esse dispositivo na posição adequada por uma pequena incisão de aproximadamente 1cm da região lateral do pé e, então, guia-se o seu posicionamento através de exames de imagem de raio-X intraoperatória.
Imagem intraoperatória demonstrando pequena incisão lateral de aproximadamente 1cm e colocação do dispositivo metálico de artrorrise

Implante metálico Pro-Stop, que é inserido na cirurgia minimamente invasiva de Artrorrise. O tamanho varia com o tamanho do pé do paciente, bem como com a gravidade da deformidade.

Imagem de Raio-X intraoperatório demonstrando a colocação do implante no seio do tarso.
A cirurgia minimamente invasiva de artrorrise corrige as deformidades?
Vários trabalhos científicos de boa qualidade demonstram melhora clínica e radiológica, ou seja, o paciente refere melhorar bem e as imagens de raios X demonstram a melhora através da correção as deformidades. A idade média de tratamento descrita na literatura é de 8 a 14 anos, no entanto, considerando o estágio de maturação óssea, verificaram que a melhor correção da deformidade foi alcançada quando realizada cirurgicamente entre 9 e 12 anos de idade, sem deterioração secundária durante o seguimento.
Série de imagens clínicas pré-operatórias (à esquerda) e pós-operatórias (à direita) demonstrando a correção de cima para baixo do VALGO, DO ARCO e da ABDUÇÃO.
Como é o pós-operatório da cirurgia minimamente invasiva de artrorrise?
Esses procedimentos costumam ocorrer em regime day hospital, e os pacientes devem receber alta com orientações de pisar com uso de órtese tipo robofoot. No início, devido a modificação do posicionamento do pé, a maior parte dos pacientes referem desequilíbrio e estranheza ao caminhar, mas rapidamente se adaptam e vão progredindo do uso de andador para o caminhar sem apoio em poucos dias. Em poucas semanas, estimula-se a trocar a bota por calçados de solado firme e evoluírem nas fisioterapias. Tudo depende também dos procedimentos associados que podem ocorrer em conjunto com a artrorrise, como osteotomias ou alongamentos tendíneos, principalmente do tendão de aquiles quando contraturado. Veja abaixo o vídeo de um paciente correndo após 3 meses de cirurgia minimamente invasiva para correção do pé plano por procedimento de artrorrise bilateral.SEU FILHO (A) APRESENTA SINAIS E SINTOMAS ASSOCIADOS AO PÉ PLANO?
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