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26/07/2024O impacto no quadril é causado por saliência ósseas anormais, levando a dor na região da virilha. Seu tratamento é feito com Fisioterapia, repouso e cirurgia em alguns casos.
Introdução
O impacto no quadril, mais corretamente denominado impacto femoro-acetabular, ocorre porque alguns pacientes podem apresentar uma saliência ou proeminência óssea anormal no quadril, levando a um contato anômalo entre o fêmur e a bacia.
Essa saliência óssea pode estar presente no acetábulo (região da bacia onde a cabeça do fêmur se encaixa/articula), na transição da cabeça com o colo do fêmur ou em ambos.
Quando essa saliência está no acetábulo, o impacto é denominado Pincer. Quando ela está no fêmur, é denominado impacto tipo CAME. E quando presente nos dois, é denominado misto, que é o tipo mais comum.

Imagem ilustrando a proeminência óssea no acetábulo à esquerda (impacto tipo-Pincer) e no fêmur à direita (impacto tipo-CAME).
Os pacientes não nascem com a proeminência óssea. Ela se desenvolve ao longo da maturação esquelética, geralmente na fase da adolescência.
Não se sabe ao certo a exata causa do surgimento dessas saliências ósseas, mas uma hipótese para explicar essa situação é o início de atividades físicas em crianças muito novas.
O impacto ósseo no quadril pode causar uma lesão no lábio acetabular (também chamado de labrum), que é uma estrutura de fibrocartilagem que recobre a borda do acetábulo, e tem diversas funções importantes no quadril.

Imagem ilustrando um lábio acetabular (estrutura azul) normal à esquerda e um lábio acetabular com uma lesão, evidenciada pela separação entre o labrum e o osso à esquerda.
Quais os sintomas do impacto no quadril?
O principal sintoma do impacto no quadril é a dor. Essa dor é geralmente sentida na região profunda/interna da virilha, principalmente em atividades que exigem muita flexão ou rotação no quadril.
Entretando, alguns casos de impacto podem se apresentar com dor na coxa, glúteo e até mesmo coluna lombar.
Além da dor, o paciente pode também perceber uma diminuição na mobilidade do quadril, principalmente para flexionar o quadril e rodá-lo para dentro.
Sintomas menos comuns são estalos, falseio e sensação de que o quadril saiu ou vai sair do lugar.
Como o impacto do quadril é diagnosticado?
O diagnóstico se inicia com uma boa consulta realizada pelo Especialista em Quadril, na qual realizam-se testes específicos para o impacto no quadril.
Para a confirmação diagnóstica, são feitos exames de RX e Ressonância Magnética.
O RX, com as suas incidências adequadas, mostra bem o formato dos ossos do quadril e a relação entre eles.

Imagem de RX mostrando proeminência óssea na transição da cabeça com o colo do fêmur na primeira imagem e saliência óssea na borda do acetábulo.
A Ressonância Magnética avalia a parte óssea e também tecidos moles, como cartilagem, o lábio acetabular, músculos, tendões e bursas. Portanto, caso não seja detectado impacto femoro-acetabular, os exames irão identificar o problema do paciente.
A lesão do lábio acetabular é geralmente descrita como fissura ou rotura labral ou separação condrolabral nos laudos de ressonância.
Como é o tratamento do impacto no quadril?
O tratamento do impacto se inicia com medicações analgésicas e anti-inflamatórias, suspensão das atividades que desencadeiam a dor e Fisioterapia para fortalecimento muscular e estabilização da articulação.
Esse tratamento deve ser feito por 2 a 3 meses e os pacientes que persistem com dor e limitações em suas atividades diárias e esportivas devem ser submetidos a cirurgia de artroscopia do quadril.
Nessa cirurgia, realizada com 2 ou 3 pequenos cortes na pele, por meio de uma câmera e instrumentos pouco invasivos, é feita a raspagem das saliências ósseas presentes no quadril, tanto no acetábulo quanto na bacia.

A primeira imagem mostra uma lesão tipo CAME (saliência óssea apontada pela seta vermelha) antes da cirurgia. A segunda imagem é o mesmo fêmur ao final da cirurgia, mostrando a resolução do CAME, vista pela simetria entre os 2 lados do fêmur, apontado pelas setas escuras.
Além disso é feita a sutura da fissura labral com auxílio de âncoras, que são pinos absorvíveis milimétricos, acoplados a fios usados para “costurar” a lesão.

Foto de uma âncora utilizada para sutura labral e imagem ilustrando um lábio acetabular com lesão, após sutura com 3 âncoras, voltando à sua posição junto ao osso.
Outras possíveis lesões também são abordadas, tais como lesões de cartilagem e de estruturas fora da articulação.
A cirurgia é feita com uso de anestesia geral. O paciente fica um dia internado e recebe alta para casa no dia seguinte, andando com auxílio de muletas, já apoiando o pé no chão.
Após a alta, o paciente inicia Fisioterapia para analgesia, ganho de mobilidade na articulação e fortalecimento muscular, até que tenha condições de retomar suas atividades físicas, processo que costuma levar de 4 a 6 meses.
REFERÊNCIAS:
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
Sociedade Brasileira de Quadril
FAQ
Sim. O impacto no quadril, mais corretamente chamado de impacto femoro-acetabular é uma importante causa de desgaste da cartilagem do quadril, processo chamado de artrose. Isso ocorre porque as saliências ósseas causadoras do impacto raspam na cartilagem com os movimentos do quadril, degradando a cartilagem ao longo do tempo.
A dor do impacto femoro-acetabular é causada principalmente por movimentos acentuados de flexão e rotação do quadril. Além disso, quanto mais de usa o quadril, mais lesões podem vir associadas ao impacto femoro-acetabular, como lesão do labrum e da cartilagem. Dessa forma, pacientes com impacto no quadril devem evitar atividades com impacto, chutes e mudanças de direção, tais como futebol, corrida, futevôlei, artes marciais e balé.
Medidas iniciais para aliviar dor no quadril são repouso, compressas de gelo e uso de analgésicos e anti-inflamatórios. Entretanto é importante que a causa exata da dor no quadril seja identificada, para que se possa fazer um tratamento direcionado, seja com Fisioterapia, infiltrações ou até mesmo cirurgia.



