
Dr Ricardo Teixeira – Médico Especialista em Coluna – São Paulo
07/08/2022
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18/10/2022A prótese de quadril por via anterior evita complicações como claudicação e luxação, por preservar os músculos e tendões do quadril, além de gerar uma recuperação mais rápida.
O que é?
A prótese de quadril, também chamada de artroplastia de quadril, é a cirurgia realizada para o tratamento de artroses avançadas na articulação do quadril. Artrose é o desgaste da cartilagem e inflamação da articulação, processo degenerativo que afeta principalmente o quadril e o joelho.

Imagem ilustrando um quadril normal à esquerda e um quadril com artrose à direita, evidenciado por irregularidades e erosões condrais (da cartilagem) e inflamação na articulação.
Os pacientes portadores de artrose no quadril costumam apresentar dor importante nessa articulação, sentida geralmente na região profunda da virilha, mas que também pode ocorrer na coxa, região lateral do quadril, joelho e até na região glútea.
Além da dor, os pacientes costumam apresentar perda de mobilidade no quadril, causando dificuldade para colocar meias, amarrar calçados e cortar as unhas dos pés, além de apresentarem dificuldade para caminhar.
Em casos extremos, alguns pacientes podem ficar impossibilitados de deambular, necessitando de cadeira de rodas de forma definitiva.
Dessa forma, os pacientes nessas condições necessitam ser submetidos ao tratamento cirúrgico com a prótese de quadril, que promove alívio da dor, restaura a mobilidade do quadril, faz com que o paciente volte a caminhar sem dificuldades e principalmente, devolve qualidade de vida ao paciente.

Imagem ilustrando uma prótese de quadril e RX de bacia mostrando uma prótese de quadril a direita, realizada pela via anterior
A prótese de quadril é uma cirurgia realizada há décadas, com ótimos resultados, principalmente nos últimos anos, com o desenvolvimento de próteses de melhor qualidade. Entretanto, algumas complicações ocorriam, e ainda ocorrem, por conta da via de acesso utilizada para a realização da cirurgia.
Quais as vias de acesso tradicionais e quais suas complicações?
Tradicionalmente, 2 vias de acessos foram utilizadas durante décadas, e são utilizadas até os dias de hoje.
A característica em comum dessas vias é que elas lesam um dos grupos musculares do quadril, acarretando alguns problemas no pós-operatório, tais como dor e fraqueza muscular. E dependendo de qual via, e portanto, de qual grupo muscular foi lesado na cirurgia, podem ocorrer complicações específicas para cada via, sendo elas:
- Via posterior: essa técnica acessa o quadril promovendo uma lesão no grupo dos rotadores externos, músculos na parte de trás do quadril. Esses músculos são essenciais para se manter a prótese de quadril estável. Dessa forma, essa técnica tem uma incidência maior de luxação da prótese no pós-operatório, ou seja, o deslocamento da cabeça da prótese do componente que vai na bacia.

O primeiro RX mostra uma prótese luxada (deslocada). A segunda imagem identifica a cabeça da prótese com a seta vermelha, a taça acetabular (componente que vai na bacia) com a seta preta, e o local onde a cabeça da prótese deveria estar, com o círculo azul, ou seja, dentro da taça acetabular. Tal complicação ocorre com mais frequência quando a cirurgia é realizada pela via posterior.
- Via lateral: essa técnica aborda o quadril fazendo-se uma abertura nos músculos e tendões dos glúteos médio e mínimo, chamados de abdutores do quadril. Tal grupo muscular tem uma grande importância para segurar a pelve durante a marcha, e com isso, alguns pacientes podem mancar (claudicar) após a cirurgia.
Quais as vantagens da via anterior para prótese de quadril?
Devido a essas possíveis complicações com as vias tradicionais para a realização da prótese de quadril, foi desenvolvida a técnica de via anterior, a qual não corta nenhum músculo ou tendão para a realização da prótese.

Imagem que ilustra as 3 vias possíveis para a realização da prótese de quadril
Com essa técnica, os músculos são apenas afastados um do outro, promovendo um pós-operatório menos doloroso e com menos fraqueza muscular, sendo mais rápido e mais confortável para o paciente.
Além disso, ao se preservar os músculos rotadores externos e abdutores, é quase nula a ocorrência de luxação da prótese ou claudicação, que é quando o paciente fica “mancando” depois da cirurgia.
Dessa forma, essa técnica inovadora e minimamente invasiva é extremamente vantajosa para um pós-operatório mais rápido e com pouca dor aos pacientes portadores de artrose avançada no quadril.
Entretanto, a via anterior é tecnicamente mais difícil que as vias lateral e posterior, e deve ser realizada apenas por Médicos Especialistas em Quadril habilitados para a execução dessa técnica.
Como é a recuperação após a prótese de quadril por via anterior?
Apesar do que muitos pensam a respeito da recuperação após a realização de uma prótese de quadril, o pós-operatório não é complicado, ainda mais em se tratando da técnica de via anterior.
Os pacientes costumam apresentar pouca dor após essa cirurgia, conseguindo controlar tal sintoma com analgésicos e anti-inflamatórios simples.
No dia seguinte à cirurgia, ainda no hospital, os pacientes começam a caminhar, com o auxílio de muletas ou andador, sob supervisão de Fisioterapeutas e do médico cirurgião. Geralmente, pacientes jovens se adaptam melhor às muletas, enquanto pacientes mais idosos preferem o andador, inicialmente.
Os pacientes costumam receber alta em 1 ou 2 dias após a cirurgia, após terem se adaptado a caminhada, apresentarem dor sob controle e estarem comendo normalmente.
Os pontos são retirados após 3 semanas da cirurgia, período no qual a ferida operatória deve ser mantida fechada com curativo, sem molhar no banho.
A única medicação de uso obrigatório após a cirurgia é o anti-coagulante, para a prevenção da ocorrência de trombose. Tal medicação é utilizada por 1 mês, bem como a utilização de meias elásticas de baixa compressão, que auxiliam na circulação sanguínea, também como forma de prevenir trombo-embolismos.
Após a alta, o paciente inicia Fisioterapia para analgesia, fortalecimento muscular e treino de marcha. Dentro de 3 a 4 semanas, a grande maioria dos pacientes consegue deambular sem muletas ou andador, salvo pacientes mais idosos, que podem necessitar de um apoio de marcha por um período mais prolongado.
Dentro de 1 mês, boa parte dos pacientes já pode voltar a dirigir.
A realização de atividades físicas é retomada de forma gradual, dependendo da intensidade de cada atividade. De forma leve, academia e bicicleta, podem ser iniciados após 6 semanas da cirurgia na grande maioria dos pacientes.
O paciente faz acompanhamento com 3 e 6 semanas, 3, 6 e 12 meses e depois anualmente, para avaliação da recuperação muscular e seguimento do RX da prótese.
Existem outras complicações na prótese de quadril?
Conforme citado acima, luxação da prótese e claudicação, são complicações que podem ocorrer por conta da via de acesso, e são evitadas com a realização da via anterior. Além disso, a ocorrência de trombose, é evitada com o uso de anti-coagulantes, meias elásticas e deambulação precoce após a cirurgia.
Entretanto, existem outras possíveis complicações. Infecção é uma delas, que é quando ocorre uma contaminação na prótese por bactérias, e é muitas vezes chamada de forma errada de rejeição da prótese. Tal complicação é evitada com cuidados de assepsia antes, durante e depois da cirurgia e com a esterilização adequada dos materiais e utilização correta dos antibióticos.
Outra preocupação é de uma perna ficar mais curta do que a outra. Esse problema é evitado com o planejamento adequado da cirurgia, além de a medição das pernas ser realizada meticulosamente durante o ato cirúrgico.
Referências OrthoInfo (https://orthoinfo.aaos.org/en/treatment/total-hip-replacement/)
Mayo Clinic (https://www.mayoclinic.org/tests-procedures/hip-replacement/about/pac-20385042)
Sociedade Brasileira de Quadril (https://www.sbquadril.org.br/artrose-do-quadril/)
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (https://sbot.org.br/cirurgia-no-quadril/)
FAQ
Essa é uma das perguntas mais frequentes de pacientes que recebem indicação da cirurgia. Um estudo recente, publicado no final de 2021, mostrou uma durabilidade de 30 anos em 88% dos pacientes que foram submetidos à cirurgia com próteses mais modernas. Tal resultado é fantástico, e supera muito a durabilidade das próteses mais antigas, que não costumava passar de 12 anos.
Esse período é variável de paciente para paciente. Pacientes jovens costumam se recuperar mais rápido do que pacientes mais idosos. Com a realização da prótese por via anterior, a recuperação costuma ser mais rápida, uma vez que na cirurgia não são lesados músculos ou tendões. Na média, em 2 a 3 meses, os pacientes costumam retomar suas atividades sem limitações.
A melhor prótese de quadril para pacientes jovens costuma ser a prótese sem cimento, com cabeça de cerâmica e liner de cerâmica, componentes que promovem maior durabilidade à prótese. Para pacientes de meia idade, costuma-se usar próteses sem cimento, com cabeça de cerâmica e liner de polietileno cross-linked. Para pacientes idosos, os melhores resultados são obtidos com próteses cimentadas, uma vez que o osso tem pior qualidade.
A resposta é sim! Uma das principais características da prótese de quadril é devolver qualidade de vida aos pacientes, e fazer com que eles voltem a praticar atividades físicas leves e moderadas. Além de andar de bicicleta, caminhadas, musculação moderada, pilates com algumas restrições, hidroginástica e natação são algumas das atividades liberadas para pacientes com prótese de quadril.



