
Dor Ciática
21/03/2023
Escoliose: Quais são os principais sinais clínicos?
29/06/2023A grande maioria das pessoas já ouviu falar no termo osteoporose. Mas será que todos sabem o que é essa doença e quais são seus riscos?
A osteoporose é a perda da massa óssea e alteração da microarquitetura dos ossos, levando a uma diminuição da densidade do osso, favorecendo a ocorrência de fraturas, mesmo com quedas simples, uma vez que os ossos ficam mais frágeis.

Quais são os tipos de osteoporose?
Existem 3 tipos da doença:
- Osteoporose pós-menopausa: a osteoporose pós-menopausa acomete apenas mulheres, e aparece após a menopausa, por conta do déficit de estrogênio, que é um hormônio feminino, importante para a saúde óssea.
- Osteoporose senil: a osteoporose senil acomete pessoas acima de 70 anos, tanto homens quanto mulheres, por conta do envelhecimento natural dos ossos.
- Osteoporose secundária: a osteoporose secundária ocorre como consequência de alguma doença como por exemplo insuficiência renal ou alterações hormonais, ou pelo uso de medicações, sendo a principal delas os corticóides, muito usados em doenças reumatológicas ou por pacientes transplantados.
Quais são os principais fatores de risco?
Fatores de risco são condições que favorecem o aparecimento de alguma doença. No caso da osteoporose alguns desses fatores já foram citados, como a menopausa, idade avançada, doenças renais ou endócrinas (hormonais), além do uso prolongado dos corticóides. Entretanto, existem outras condições que podem levar à osteoporose, sendo as principais delas:
- Tabagismo
- Etilismo
- Baixo consumo de cálcio (encontrado no leite e seus derivados)
- História familiar: pacientes com parentes (principalmente a mãe) com osteoporose tem chance aumentada de ter osteoporose
- Baixo peso
- Sedentarismo
Como prevenir o aparecimento da osteoporose?
Tendo-se conhecimento dos principais fatores de risco para a ocorrência da osteoporose, fica mais fácil de entender como prevenir tal doença. Como não é possível alterar a idade de uma pessoa e sua história familiar, evitar a menopausa ou a ocorrência de algumas doenças causadoras de osteoporose, devemos focar os esforços nos fatores modificáveis. Sendo assim, a prevenção da osteoporose é feita com:
- Parar de fumar: a cessação do tabagismo é essencial para evitar a osteoporose.
- Reduzir ingesta alcoólica: diminuir o consumo de bebidas alcoólicas tem um papel importante na prevenção da osteoporose, além de reduzir a ocorrência de quedas.
- Prática de atividades físicas: a prática de exercícios de forma regular é essencial na prevenção da osteoporose, além de diversos outros benefícios para a saúde, principalmente na parte cardio-vascular, osteo-muscular e emocional.
- Ingesta adequada de cálcio: o consumo em quantidades ideais de leite e seus derivados, como queijo e iogurte, tem um papel importantíssimo na prevenção da osteoporose. O preconizado é a ingestão de 1grama de cálcio ao dia. Mesmo pacientes com intolerância à lactose devem consumir leite e seus derivados, em alimentos disponíveis sem lactose.
Como a doença é diagnosticada?
Infelizmente, a osteoporose é uma doença silenciosa, ou seja, não causa sintomas que fazem os pacientes buscarem ajuda médica. Dessa forma, ela deve ser ativamente investigada, com a realização da Densitometria Óssea (DMO) em mulheres na menopausa ou em pacientes acima de 70 anos de idade. A DMO avalia a densidade óssea do paciente e compara com a densidade óssea de pacientes jovens. Dessa forma, a DMO pode apresentar 3 resultados diferentes:
- Densidade óssea normal: se houver uma perda de massa óssea de até 10% quando comparado à população normal. Isso é visto no resultado como T-score > -1,0 DP
- Osteopenia: é a condição entre osso normal e osteoporose, chamada de diminuição de massa óssea. É quando o resultado mostra um T-score entre -1,0 e -2,5 DP, ou seja, uma perda de massa óssea entre 10 e 25%.
- Osteoporose: a osteoporose propriamente dita é quando existe uma perda de massa óssea maior que 25%, portanto, um T-score < 2,5 DP.

Além disso existem outras situações que independentemente do resultado da DMO, já definem a existência de osteoporose, sendo elas:
- Perda de altura: quando o paciente perde mais de 4cm de altura ao longo de sua vida, isso já define a existência de osteoporose. A perda de altura ocorre devido ao achatamento de múltiplas vértebras na coluna vertebral, ocasionados pela perda da densidade óssea.
- Fraturas osteoporóticas: a ocorrência de fraturas osteoporóticas também já define que o paciente é portador de osteoporose. Só são consideradas fraturas osteoporóticas as que ocorrem após quedas simples. Fraturas que ocorrem com acidentes de carro ou quedas de altura (que são traumas de alta energia), não são consideradas fraturas osteoporóticas. As quatro fraturas osteoporóticas são:
- Fraturas do fêmur na região do quadril
- Fraturas da coluna lombar ou torácica
- Fratura do úmero na região do ombro
- Fraturas do rádio na região do punho
Como é o seu tratamento?
Uma vez diagnosticada, seja pela Densitometria Óssea, pela perda de altura ou pela ocorrência de uma fratura osteoporótica, a osteoporose deve ser tratada. Seu tratamento é feito com a suplementação de cálcio na quantidade de 1.200mg ao dia, vitamina D na quantidade de 1000-2000 UI ao dia e com medicações específicas para osteoporose, sendo as principais delas:
- Bifosfonatos: são medicações chamadas de anti-reabsortivas, pois impedem que as células do nosso organismo retirem cálcio do osso. Evitam a diminuição da massa óssea, mas não são capazes de aumentar a massa óssea. As mais comuns dessa classe de medicação são o alendronato, risedroanto, ibandronato e ácido zoledrônico. As 3 primeiras são geralmente tomadas uma vez por semana ou uma vez por mês, em comprimidos, enquanto que o ácido zoledrônico é uma medicação injetável que deve ser aplicada a cada 9 a 12 meses.
- Prolia®: essa medicação tem como princípio ativo o denosumabe. É uma medicação que deve ser aplicada no subcutâneo abdominal (similar à insulina) a cada 6 meses. Ela tem uma ação mista tanto anti-reabsortiva (assim como os bifosfonatos) quanto anabólica, ou seja, é capaz de aumentar a massa óssea.
- Fortéo® e Evenity®: essas 2 medicações são consideradas anabólicas, e têm a maior capacidade de aumentar a massa óssea. Devido seu custo elevado, são reservadas para casos graves e de difícil controle de osteoporose.
Mulheres na menopausa podem ter o tratamento complementado com a terapia hormonal, caso não apresentem contra-indicação para tais medicações. Esse tratamento deve ser orientado por Ginecologistas ou especialistas no assunto. Além do tratamento medicamentoso, a osteoporose deve ser tratada com o aumento da ingesta de leite e derivados, prática de exercícios físicos e cessação do tabagismo. Além disso, medidas para evitar quedas em casa devem ser tomadas, tais como retirar tapetes dos banheiros, tomar cuidado para não deixar objetos largados no chão e colocar barras nos chuveiros.
Quais as principais fraturas relacionadas à osteoporose e como é seu tratamento?
Conforme descrito acima, existem algumas fraturas clássicas que ocorrem em pacientes portadores de osteoporose:
- Fraturas do fêmur na região do quadril: as principais são a fratura do colo do fêmur, cujo tratamento pode ser com prótese de quadril ou com placa e/ou parafusos e a fratura transtrocanteriana, um pouco mais para baixo, cujo tratamento pode ser feito com haste cefalo-medular ou placa e parafusos.

- Fraturas da coluna lombar ou torácica: essas fraturas são na grande maioria das vezes de tratamento sem cirurgia, com uso de coletes e repouso apenas. Não costumam afetar a medula, mas podem ocasionar uma dor crônica na coluna dos pacientes.

- Fratura do úmero na região do ombro: podem ser tratadas com imobilização com tipóia, ou cirurgia com placa e parafusos, haste ou prótese de ombro, dependendo das características da fratura e função do manguito rotador do ombro.

- Fraturas do rádio na região do punho: podem ser tratadas com imobilização com gesso ou com cirurgia com pequenas placas e parafusos. O tratamento cirúrgico permite uma reabilitação mais rápida, sem necessidade de imobilização prolongada.

Tais fraturas podem ocasionar perda de mobilidade, força e função nas articulações afetadas, além do risco de uma possível cirurgia, e por isso a prevenção de tais fraturas com o tratamento adequado da osteoporose é fundamental!
Todo tratamento deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa. Consulte um especialista em quadril.
Referência
Sociedade Brasileira de Quadril
Sociedade Brasileira de Reumatologia
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
Mayo Clinic
OrthoInfo
FAQ
Osteoporose é a perda de massa óssea, fazendo com que o osso fique frágil e portanto, susceptível a fraturas mesmo com quedas ou batidas simples.
A osteoporose em si não causa sintomas, como dor ou restrição de mobilidade. A única forma de saber se tem osteoporose ou não é fazendo o exame da densitometria óssea, que avalia a densidade dos ossos. Entretanto, pacientes com osteoporose e que apresentam fraturas vertebrais podem diminuir de altura, sendo esse um sinal da presença dessa doença.
A melhor forma de se diagnosticar a osteoporose é com a realização do exame da densitometria óssea. Entretanto, paciente com fraturas no ombro, quadril, punho e coluna vertebral com queda de baixa energia, também são considerados portadores de osteoporose. Essas fraturas geralmente acometem pessoas idosas.
A osteoporose deve ser tratada com suplementação de cálcio e vitamina D, além do uso de medicações como bifosfonatos ou denosumabe. Além disso, uma dieta com leite e derivados tem seu papel no tratamento. Prática de atividades físicas, cessação de tabagismo e redução do consumo de álcool e café também devem ser adotados pelos portadores de osteoporose.



