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31/07/2023A escoliose consiste na curvatura lateral (para o lado) da coluna vertebral. Diversas condições podem levar ao seu diagnóstico final, sendo o desvio na coluna e a irregularidade dos ombros e da cintura os sinais clínicos mais comuns. Entenda as suas causas e as formas de tratamento.

Figura 1: A escoliose é uma alteração tridimensional da coluna (inclinação e rotação das vértebras)
O que é a escoliose?
O desvio lateral da coluna, em contraposição ao seu alinhamento vertical habitual, é conhecido como escoliose. Na maioria dos casos, ela se desenvolve sem um fator causador direto e é denominada escoliose idiopática.
No entanto, ela também pode ser causada por malformações, síndromes genéticas, tumores, paralisia cerebral e traumas. Portanto, é crucial que os pacientes com escoliose sejam examinados por um especialista em coluna para obter um diagnóstico preciso e receber o tratamento adequado.
Quando o valor da curvatura excede 10 graus em angulação, o diagnóstico de escoliose é feito. Também é importante mencionar que esta curvatura tem caráter tridimensional, isto é, além da curva para o lado, as vértebras também sofrem processo de rotação.
Quais os seus principais sinais clínicos?
A escoliose pode manifestar-se de maneiras diversas, dependendo do local e da gravidade da curvatura. Por essa razão, alguns casos podem ser quase imperceptíveis durante o exame clínico, enquanto outros apresentam desvios notáveis, às vezes até limitantes.
De maneira geral, as principais alterações observadas são:
- Desvio perceptível da coluna vertebral
- Ombros desalinhados e desnivelados
- Descompensação da pelve (bacia) (alteração e assimetria da cintura)
- Proeminência das costelas unilateralmente
- Assimetria das escápulas e mamilos

Figura 2: Sinais clínicos
Casos de escoliose associados à dor, dificuldades respiratórias e alterações gastrointestinais requerem atenção especial e em geral ocorrem apenas em casos de alto grau.
Como é feito o seu diagnóstico?
O seu diagnóstico é feito a partir da suspeita clínica ao se observar os sinais clínicos mencionados acima. Os pais, professores, educadores físicos e profissionais da saúde devem sempre estar atentos a estas alterações.
Após a suspeita clínica, o principal exame a ser realizado é a radiografia panorâmica da coluna vertebral. Neste exame é medido o ângulo de Cobb. Caso este ângulo seja superior a 10 graus, o seu diagnóstico é estabelecido.

Ângulo de Cobb: Representação e esquema de como é medido o ângulo de Cobb.
Quais os tipos de escoliose?
Existem diferentes tipos e diferentes causas de escoliose. Em termos gerais, temos as seguintes condições:
- Escoliose Idiopática – corresponde a 80% dos casos e não apresenta uma causa bem definida. Ocorre principalmente após os 10 anos de idade sem algum fator causal aparente. Em determinas situações, pode se iniciar em idades mais precoces.
- Escoliose degenerativa – é o tipo de escoliose que ocorre predominantemente em idosos em razão dos processos degenerativos (desgaste) da coluna vertebral.
- Escoliose neuromuscular – é a escoliose que ocorre por síndromes ou doenças que afetam os sistema neurológico ou muscular do paciente. Alguns exemplos são a paralisia cerebral e distrofias musculares.
- Escoliose congênita – são as escolioses que se desenvolvem intraútero e estão presentes já ao nascimento por malformações vertebrais.
Outras formas mais raras de escoliose são aquelas decorrentes de trauma ou mesmo tumores.
Quais as principais formas de tratamento da escoliose?
Antes de ser iniciado o tratamento, é necessário definir a sua causa, o valor da angulação da curva e saber se ela está estabilizada ou progredindo. As radiografias seriadas nos dão a certeza se ela está progredindo.
O período de maior chance de progressão da escoliose é durante a infância e adolescência, por causa do crescimento. Assim, é nesse período que é mais importante a realização de exames seriados (de tempos em tempos).
As principais formas de tratamento são:
- Exercícios físicos, cuidados posturais e fisioterapia/ RPG: São indicados em casos leves e estáveis (sem progressão).
- Coletes: Pacientes que apresentam curvas progressivas e ainda apresentam grande potencial de crescimento se beneficiam do seu uso.
- Cirurgias provisórias: Pacientes muito pequenos e com escoliose de alto valor ou progressão rápida se beneficiam de procedimentos de menor porte que permitem que o paciente continue crescendo. Posteriormente, serão submetidos à cirurgia definitiva.
- Cirurgia corretiva (artrodese): A cirurgia para sua correção é chamada de artrodese. Ela é destinada para pacientes com maior idade e peso (em geral, acima de 12 anos).
As informações nesse artigo são gerais e não devem ser usadas para se definir o tratamento individual. Siga a recomendação do seu médico.
Referências
Sociedade Brasileira de Coluna
Base de Atualização: UpToDate
Scoliosis Research Society
O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa. Consulte um especialista em coluna.



