
Dr. Pedro Giglio – Médico especialista em Joelho – São Paulo
08/01/2023
Dor no Ombro
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Introdução
A unha encravada é um problema comum que ocorre quando a placa ungueal cresce na pele em volta da unha, causando uma lesão local associado a um processo inflamatório, possibilitando a penetração de uma bactéria e ocorrência de um processo infeccioso.
Essa lesão pode acontecer tanto em homens quanto em mulheres, no entanto a sua prevalência é maior em adultos jovens. O hálux, ou dedão do pé, é o local mais frequente de surgimento. O quadro clínico pode ser variável, ocorrendo desse um desconforto leve até um quadro mais limitante, que incapacita o uso de calçados e prática de atividades.

Causas da Unha Encravada
O corte inadequado das unhas parece ser o fator associado mais comum, levando a formação de espículas que traumatizam os tecidos moles em torno da região. Além disso, sapatos apertados, higiene insuficiente dos pés, hiperidrose e traumas locais são outros fatores frequentemente associados.
Fatores genéticos também estão associados. O formato anormal das unhas e alterações anatômicas locais são muito relevantes. Alguns estudos demonstraram que placas ungueais largas, desalinhamento das unhas dos pés e placa ungueal espessa, são condições predisponentes.
O excesso de pele ao redor da unha pode formar uma protuberância ao redor da unha, causando pressão e necrose. No entanto, é mais provável que a unha encravada ocorra quando a borda da placa ungueal cresce lateralmente sob a pele, causando inflamação dolorosa e levando à formação de tecido de granulação. Isso criaria uma porta de entrada para bactérias e inicio da infecção. Forças do solo devido à atividade física, obesidade e calçados constritivos podem auxiliar nesse processo.
Principais Causas?
- Fator Hereditario
- Unha larga
- Excesso de pele em volta da unha
- Traumas de repetição
- Uso de calçados apertados
- Corte inadequado de unhas
Qual a população mais suscetível a Unha Encravada?
A prevalência da unha encravada é alta! Cerca de 2,5 a 5% da população pode apresentar pelo menos um episódio durante a vida. Nos últimos anos a prevalência vem aumentando, provavelmente devido a mudanças no estilo de vida, como atividades físicas mais intensas. Adolescentes e adultos jovens com clara predominância masculina é o público mais afetado! A unha encravada afeta quase exclusivamente as unhas do dedão do pé (hálux), podendo ocorrer em uma ou ambas as bordas da unha. O envolvimento da borda lateral do dedo é mais frequente.
Avaliação médica
O diagnóstico da unha encravada costuma ser simples. Quase todos os pacientes apresentam dor e desconforto com níveis variados de incapacidade, que podem variar de uma simples dificuldade para caminhar até uma completa incapacidade de utilizar qualquer tipo de calçado. Os achados do exame físico podem variar dependendo do estágio da doença.
Classificação
A unha encravda é classificada de acordo com a dimensão do processo inflamatório e a deformidade que ocorre na unha afetada. Normalmente são classificadas em 3 graus:
- Grau I: presença de sinais inflamatórios (vermelhidão, edema leve e dor à compressão da prega ungueal lateral)
- Grau II: quando o a inflamação aumenta com a saída de secreção e infecção secundária
- Grau III: formação de tecido de granulação e hipertrofia ungueal

Caso demonstrando unha encravada Grau III, com alto grau de inflamação, tecido de granulação e hipertrofia da unha.
Diagnóstico diferencial
O médico deve estar atento aos diagnósticos diferenciais, dentre eles o mais importante são os tumores do leito ungueal (benignos e malignos). Se houver suspeita, um exame de raios X que revela a proliferação óssea subungueal pode confirmar o diagnóstico. Os tumores malignos, são extremamente raros, no entanto o melanoma subungueal e o carcinoma escamoso subungueal, que podem ser localmente agressivos, devem ser considerados.
Tratamento para Unha Encravada
Existem diferentes formas de tratar a unha encravada. Nos estágios iniciais, os tratamentos não cirúrgicos são recomendados (GRAU I), e estão associados ao ajuste das arestas, que são as bordas das unhas, uso de órteses, controle das atividades traumáticas e ajuste da largura da câmara anterior dos calçados. No entanto, em casos mais avançados, como nos GRAUS II e III, o tratamento cirúrgico costuma oferecer os melhores resultados.
Prognóstico
As recorrências podem acontecer no tratamento conservador quanto no cirúrgico. Normalmente resultam de matricectomia incompleta que permite o crescimento de alguma espícula.
A ressecção da matriz em bloco cirúrgico, associado a cauterização da borda da mesma e retirada de todo tecido desvitalizado e dos excessos de pele, costumam ser o procedimento definitivo mais eficaz.
É essencial considerar e tratar a infecção secundária da dobra ungueal, paroníquia e cicatrização da dobra ungueal, e muitas vezes, por esse motivo, é necessário o uso de antibióticos.
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FAQ
Quando tratada de maneira adequada, seja cirurgicamente ou não, a melhora costuma ser rápida. No entanto, fatores como deformidades, grau de infecção e cronicidade do caso são determinantes para definir quanto tempo o quadro melhora.
A presença de pus indica que há um processo infeccioso ativo. A sua extensão e profundidade, associado ao grau de acometimento da unha encravada que irão determinar o melhor tratamento. A drenagem local e uso de antibióticos tópicos (pomada) é uma opção nos casos leves, mas não costuma surtir efeito nos casos mais avançados, aonde a cantoplastia associada a antibióticos orais costuma ser a melhor opção.
A melhora da dor local e do processo inflamatório (calor, vermelhidão e inchaço) são os principais indicativos que o tratamento está evoluindo bem. No entanto o indivíduo deve estra atento às recorrências, pois em geral existe algum fator anatômico associado que não é corrigido, apenas controlado, com as medidas conservadoras.
O cuidado local com as unhas é o fator determinante. Manter as unhas sempre bem aparadas e lixadas, evitar pontas laterais e o uso de calçados que mantenham a ponta dos dedos apertadas fazem parte das principais medidas. Está sempre checando os pés, avaliando lesões de pele e se há ou não espículas nas unhas, fazem parte de um cuidado de rotina que as pessoas que apresentam recorrência da unha encravada devem ser submetidas.



